“Adidas goleia a Nike”

Não foi só com a bola rolando em campo que o Brasil foi humilhado pelos hermanos no último confronto realizado entre as duas seleções, em 25 de março passado, em Buenos Aires.

A diferença entre os fardamentos das duas seleções também foi gritante, clara e visível aos amantes do futebol-arte.

De um lado, a austeridade gráfica tradicional da Adidas, avessa a invencionismos, respeitando a história e fazendo a releitura do uniforme argentino campeão mundial de 1978, com a insígnia do fabricante de material esportivo com as três folhas de três listras estampadas em cor bronze do lado direito do peito. Total “old school”. O brasão da seleção portenha também foi redesenhado. Só com a tipografia da AFA (as três letras) emoldurada por uma coroa de louros igualmente branca sobre fundo branco, só que em relevo, em tons diferentes, esbanjando sutileza e apuro nos detalhes. Há quem diga que a empresa alemã é a mais tradicionalista de todas, e seu design é cheio de autorreferências a si mesma. Mas menos é mais. Não tem como errar.

O departamento de criação da Nike, por sua vez, continua a meter os pés pelas mãos. A fabricante estadunidense do uniforme da seleção canarinho apresenta uma camisa majoritariamente em um tom amarelo fluorescente que não remete a nada, e pior ainda, há uma marca d’água nas peças que, vista de perto, não tem significado nenhum. O detalhe das golas da camisa pentacampeã em verde-água são vergonhosas, e em nada fazem referência ao verde-bandeira do pavilhão nacional. As mangas das camisas também apresentam uns detalhes ininteligíveis em verde e azul escuro que talvez tivessem a ver numa seleção marajoara. Os números e as tipografias com os nomes dos jogadores nas costas, igualmente em verde-água, são bizarras, para não dizer grotescas ou mesmo infantis. E dá-lhe outro detalhe verde-água na lateral dos calções que também não faz o menor sentido.

A Argentina jogou sem firulas. Os calções pretos com as três listas brancas e azuis do seu patrocinador nas laterais é uma marca que marca. A tipografia nas costas dos jogadores, todas negras sobre o azul claro e branco, é indefectível, uma variação da clássica fonte Futura. O uniforme do seu treinador, um agasalho todo azul marinho como a segunda camisa da seleção argentina, estava ok. O então técnico brasileiro Dorival Jr., coitado, parecia que trajava uma camiseta de ciclista com os logos do Itaú, Vivo e Guaraná completamente fora de escala.

Levamos fumo. Nos 90 minutos de bola rolando a derrota foi inconteste. No campo do design, foi outro fracasso. E, neste quesito, a goleada foi ainda maior.

Imagem: Reprodução / Conmebol